JPB/Crea
Jornal da Paraíba
João Pessoa 03 de setembro de 2001
WAGNER LIMA
da reportagem local
As estruturas que conhecemos para edificações de grande porte são a madeira, o metal e o controle. O plástico, até pela sua constância no nosso dia-a-dia jamais seria cogitado como um material promissor nessa área. Os brinquedos, copos e pratos e até utensílios domésticos feitos de plástico passam sempre a idéia de um material frágil e pouco durável, no entanto, uma pesquisa do paraibano Reginaldo Marinho, tem tudo para revolucionar o pensamento e as estruturas das edificações futuras caso haja um investimento no resultado desse trabalho. Marinho desenvolveu um método de construção denominado de Construcel, que nada mais é do que módulos fabricados de resina, no formato de prismas triangulares e com o fundo que resulta em um triângulo equilátero, duas faces ortogonais e uma terceira inclinada em relação à base. A criação conforme ressaltou Reginaldo Marinho, une três fundamentos da engenharia: a treliça, o arco de compressão e o método dos elementos finitos, o que permite conseguir resultados satisfatórios e maior segurança. “Nenhuma outra tecnologia consegue reunir os três fundamentos utilizando também os materiais que atualmente são bastante empregados como a madeira, o ferro e o concreto”, frisou.
Com a implantação do método Contrucel com suas células acopladas através de parafusos, Reginaldo Marinho apontou que as vantagens para a indústria e para a população de modo geral são inúmeras: o fim do desperdícios porque o material pode ser reciclado; o prazo para a concretização da construção seria mais ágil, além de permitir conforto térmico por não deixar passar o calor para o ambiente. Outra vantagem apontado por Marinho é que em épocas de chuva o impacto da água no teto de plástico é bem inferior ao ocorrido nos que possuem a estrutura de metal.
Invenção mereceu prêmio
As estruturas idealizadas por Reginaldo Marinho tem capacidade para resistir a ventos superiores a 120 Km/h e as resinas, de acordo com ele, podem ser protegidas contra os raios ultravioletas e o fogo. A grande vantagem para a indústria brasileira é que com a produção em maior escala desse material haveria um crescimento por parte desse segmento da indústria como a geração de empregos.
Atualmente, o Brasil ainda produz um pouco mais que 11 mil toneladas de policarbonato, a resina utilizada na criação dos módulos. Com a utilização dos módulos à base do produto, haveria um aumento significativo. De acordo com Reginaldo Marinho, se isso chegar a ocorrer, a produção do policarbonato criaria uma demanda de 100 mil tonelada do material. “Os automóveis, as casas, a mobília em um futuro bem próximo serão todos feitos por material plásticos porque os meios de produção hoje são mais simplificados. Com o plástico haverá uma facilidade maior de criar novos designers, mais uniformes como também mais baratos”, afirmou.
A tecnologia em que utilizará outros produtos como matéria prima também estão incluídos nos projetos do pesquisador paraibano Reginaldo Marinho. Um desses exemplos é possibilidade de utilizar o derivado do amido de milho com a celulose da batata “Hoje temos soluções de plásticos biodegradáveis que podem ser muito bem utilizado porque ele transcende a origem fóssil até com produtos vegetais”, ressaltou.Os módulos idealizados por Reginaldo Marinho tiveram como prêmio uma medalha de ouro em um dos mais importantes eventos dedicados às invenções mundiais, o 28º Salão de Invenções de Genebra.
Conforme Marinho, a criação dos módulos além de ser uma inovação tecnológica é, também, uma valiosa contribuição para o meio acadêmico e as pesquisas no ramo da engenharia e arquitetura. “Cada módulo está preparado para receber uma placa fotovoltaica, tranformando toda a construção em uma central de energia solar, podendo-se usar, também o plástico reciclado. Portanto, essa tecnologia é absolutamente inovativa e comprometida com as mais modernas tendências mundiais de defesa ambiental”, defendeu.
ARQUITETURA E CONSTRUÇÃO
Método pode usado em vários setores
Galpões, hangares, ginásios, coberturas como a do Espaço Cultural José Lins do Rêgo e até casas populares podem ser construídas com o policarbonato, mais conhecido como plástico. O material é muito mais resistente a impactos e a resina do produto podem baratear e muito o preço do produto para a população. Isso tudo é o que garante Marinho.
As construções idealizadas pelo paraibano seriam formadas por módulos prismáticos com três lados de 50cm (a base é um triângulo equilátero) e 13 cm de profundidade. Colocados como em um mosaico, presos geometricamente uns aos outros por parafusos ou solução que os cole de forma definitiva com o cloreto de metileno. O que garantirá a convergência da estrutura para um eixo central, dando aspecto arredondado à construção e a sustentando é a inclinação de uma das faces dos módulos.
Autodidata e com passagens pelos cursos de Arquitetura, Engenharia e Comunicação, Reginaldo Marinho ressaltou que o maior problema a ser enfrentado é a falta de investimento do Brasil em novas tecnologias. O projeto dele só não foi colocado em prática ainda porque para isso seria necessário que fossem construídos protótipos, o que resultará em custos mais elevados dos já gastos por ele para o pedido de patente feito em 1997. Em escala reduzida das peças não há como garantir a precisão angular que sustentará a construção e, é por isso mesmo que precisamos que algum órgão invista na fabricação dos módulos”, argumentou.