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Reginaldo Marinho

/\/\/\/\/\”As estruturas são a materialização das forças que atuam em um projeto.” Pier Luigi Nervi /\/\/\/\/\

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Folha S. Paulo

Folha de São Paulo 14/05/2000, página 2                                           
Invenção é coisa séria 
Eliane Cantanhêde 

Durante anos, um sujeito simpático perambulou por ministérios, órgãos públicos, empresas e redações tentando convencer as pessoas de duas coisas: de que não era meio pirado e de que sua invenção era coisa séria. Não conseguiu.

Pois em poucas semanas na Europa conquistou o reconhecimento que seu próprio país lhe negou e um prêmio para esfregar na cara de todo mundo, inclusive na minha.

O sujeito é o paraibano Reginaldo Marinho, que estudou três anos de engenharia e dois de arquitetura, mas nunca se formou. Seu sonho era ser inventor. Sabe-se agora que a sua vocação, também.

Ele ganhou nada mais nada menos que a medalha de ouro do Salão Internacional de Invenções da Europa, em Genebra, concorrendo com mais de 600 “malucos” de 44 países. Já tem convites de institutos da Inglaterra e da Polônia para expor seu projeto e de quatro empresas européias para desenvolvê-lo e comercializá-lo.

Trata-se do “Construcel”, estrutura de plástico em forma de prisma para galpões, silos, academias, ginásios, ou abrigos. Hoje, os materiais desse tipo de obra são concreto, metal ou madeira. Ele criou uma opção mais leve, mais prática, mais barata. O Brasil, público e privado, nem sequer se dava ao trabalho de ver.

Essa história lembra a do Bina, o aparelho que identifica a origem de ligações telefônicas. Seu inventor foi um brasileiro, Nélio Nicolai, que não ficou com o mérito e nem lucra um centavo dos US$ 8 bilhões que sua idéia movimenta por ano no mundo.

Num país em que selecionar, reconhecer e principalmente financiar projetos acadêmicos já é um parto, imagine os projetos de autodidatas visionários. Por trás de cada um deles, entretanto, pode haver uma surpresa e uma nova tecnologia.

Governo, iniciativa privada e jornalistas, como eu, pecamos pela omissão. Parabéns, Reginaldo Marinho! E mil desculpas para você e os pirados como você.  

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